
Patos de Minas, 11 de outubro de 2009
Ana Paula,
Quando eu te conheci a primeira impressão que tive sua, era de uma garota calada e tímida. Daquelas meninas que nem respiram com medo de chamar a atenção das pessoas a sua volta. Mas, como diz o escritor e todo-poderoso-das-blogueiras Antonio Prata: "A primeira impressão é a que fica – para trás", tudo o que eu pensei sobre você não era a realidade. Ainda bem que você não era assim. Porque, cá entre nós, o seu jeito de ser é infinitamente melhor do que qualquer maneira que eu te imaginasse.
Não sei se é coincidência, ou se devemos acreditar que os nomes influenciam em nossa personalidade. Não sei se você é tão cheia de graça por se chamar Ana. Ou por você ser tão cheia de graça foi chamada de Ana.
Nós duas nos parecemos muito pela vontade de querer mostrar ao mundo que nós somos mulheres de opinião e para acrescentar temos gênio forte. E para aqueles que, algum dia, nos rotularam como "pessoas do contra", só posso responder com uma citação: "Cabeças vazias têm grande facilidade em balançar para cima e para baixo, em sinal de sim."
Sinto muita falta dos momentos que nós conversávamos sobre tudo, nada escapava a nossa língua afiada e a nossos pensamentos irônicos. Podíamos falar o que quiséssemos que não sofreríamos qualquer censura uma da outra. Sem você aqui perto de mim recorro ao apogeu da loucura e converso sozinha, porque não há ninguém nesse universo que me deixa tão à vontade para prosear como você.
Ouço um nome estranho e penso: "A Ana Paulinha riria comigo se ouvisse isso!". Se alguém fala de Diamantina, João Pinheiro e Capelinha, adivinha qual a primeira pessoa que vem a minha cabeça? Quando alguém me pergunta: "Kamilla, com quem você aprendeu fazer tal coisa em Química, Física e Matemática?" Eu respondo: "Com a minha amiga Ana Paulinha".
Como nós já fizemos a nossa lista de coisas-para-fazer-antes-de-morrer, temos e teremos muitas histórias para contar para os nossos bisnetos (é amiga, hoje com a longevidade do brasileiro nem são mais histórias para contar para os netos). Já imagino a nossa viagem para Itália e Alemanha, preciso acrescentar que poderíamos dar uma passadinha em Barcelona, porque vi um filme que se passa lá e me apaixonei pelo lugar, tenho certeza que você também irá amar.
Esta carta deveria ser enviada no dia do seu aniversário, mas por motivos de forças maiores: meus desumanos vestibulares, ela chegará a seu destino bem antes da data correta. Eu sei que você compreende essa minha antecedência. Dia 21 de novembro é tão importante para mim quanto o meu próprio aniversário, porque nesse dia nasceu umas das pessoas de que me mais gosto, aprecio, admiro e que faz parte da minha história. Eu lhe dou os "Parabéns" e lhe agradeço o presente da sua existência na minha vida.
Com carinho,
Kamilla Barcelos (ou simplesmente Barcelos)



